terça-feira, 2 de agosto de 2016
Ele tem baixa auto-estima...
Quando nos olhamos para o espelho e deixamos de reparar se existem rugas novas a surgir, de nos pentear, de nos barbear, só o fazendo quando os pêlos na cara começam a incomodar à custa do calor...
Quando, cansados de nos controlar, porque pensamos que ninguém se importa connosco, desistimos do nosso corpo e emborcamos tudo o que nos aparece à frente e nos dá uma pequena sensação de prazer. Nem que sejam uns micro-segundos.
Pensamos que somos menos do que aquilo que somos na realidade.
Que somos apenas um dente da engrenagem da vida das poucas pessoas com quem convivemos.
Se partir o mecanismo consegue continuar na mesma. Desacertado mas funcional.
Ou em momentos mais sombrios, em que em vez de dente, somos pedra.
Procuramos a pena de quem cuida de nós. Alimentamo-nos de pouco amor que resta e sugamos a sua essência, sem saber que o tempo se encarrega de criar um vazio de sentimentos.
É quando o vazio fere e desencadeia a busca pelo que falta, que nos damos conta que algo estava mal... Que houve tanto que não fizemos ou fizemos mal.
Damos conta que nem sempre ouvimos o outro.
Não ouvimos a sua prece porque a voz dentro da nossa cabeça gritava demasiado alto.
Não fomos verdadeiros connosco e com os outros.
Contamos que quem cuida de nós, sempre estaria ali e nunca precisaria de ser cuidada.
Duvidamos se ainda vamos a tempo de mudar.
Julgamos encontrar a força para nos erguer das sombras, mas há tanto tempo que as nossas pernas não sentem o peso do nosso corpo, e voltamos a cair.
Estendemos a mão e puxamos para baixo quem nos ajuda.
O peso é tanto...
Uma ultima vez nos sussurram ao ouvido e levantamo-nos devagar.
Sabemos que afinal não conseguimos fazê-lo sozinhos.
Tudo tem de mudar.
Tudo será diferente.
"O passado não volta e o futuro é um "presente"."
O mudo desabou mas as fundações mostraram conseguir resistir.
Não continuemos a abanar os muros e paredes para ver se afinal uma construção com tantos anos ainda resiste.
Há que reforçá-los e reconstruir.
Que não se fique à espera do próximo terramoto.
Arregacemos as mangas...
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