Há muito que não me considero ciumento.
É claro que na minha juventude, à custa estar num relacionamento recente e ajudado por uma baixa auto-estima já tive crises de ciúme, que mais tarde soube rotular de perfeitamente parvas e desprovidas de nexo.
Mas há umas semanas o meu mundo foi abalado.
Fiquei sem chão debaixo dos meus pés e entrei numa espiral destrutiva que vou aprendendo a discernir à medida que vou lendo e interpretando o que me vai na alma.
De onde vêm esta ansiedade que sinto no peito.
Esta vontade de estar constantemente ao teu lado.
Este sentimento encapotado que tanto me faz sentir capaz de voar ao céu para te oferecer uma estrela, como de repente faz sentir que as minhas entranhas se transformam em fogo e tudo o que sinto é dor.
Deixei que a semente da dúvida germinasse e o que pensei ser uma erva daninha fácil de arrancar acabou por ser uma praga que a cada investida minha continua a a erguer-se, fazendo frente à minha lucidez mental.
Sem dar por isso, leio o que mais receio nas entrelinhas e transformo insignificâncias num pesadelo capaz de me arrancar a sangue frio do aconchego dos lençóis.
Nunca me imaginei capaz de possuir tanto ciúme em mim e tenho medo que sejam as minhas acções a levar ao desfecho de algo tão precioso e maravilhoso.
Por isso venho aqui abrir o meu coração.
Processar o que vai na alma.
Tentar entender porque me faço tanto mal.
E esta terapia tem-me ajudado, sim...
Porque quero ser mais.
Quero ser a pessoa que te estende a mão e está aqui para te ajudar a superar os teus medos e receios.
Ajudar-te, porque és tu quem precisa.
A minha confiança foi abalada. Sim, tinhas razão.
Mas não foi perdida.
Tenho que ser mais forte do que isto.
Vou então ali à drogaria comprar ervicida e já volto... ;P
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